APRESENTAÇÃO - Dom, inspiração, estratégia... o que nos leva a escrever
Por que escrevemos? As pessoas usam as mesmas técnicas para escrever? O que diferencia um grande escritor? Qualquer um pode escrever bem? Pensando em todas estas questões, passamos a nos observar enquanto escritores e a pesquisar autores consagrados. Desta pesquisa surgiu mais uma questão: estratégia x inspiração e dom.
Algumas pessoas (inclusive autores importantes) defendem a idéia de que alguns nascem com o dom de escrever, ou seja, que são pessoas inspiradas e que, portanto, é como se a possibilidade de escrever bem, fosse algo além da pessoa, algo divino. Segundo Rachel de Queiroz, no texto “A ‘inspiração’ não vem para todos” esta é uma visão do senso comum a respeito do escritor: “A noção comum que se tem a respeito do escritor é que pessoas excepcionais, nascidas com o dom de escrever bem o belo, são periodicamente visitadas por uma espécie de iluminação das musas, ou do Espírito Santo, ou de um outro espírito propriamente dito – fenômeno a que se dá o nome de ‘inspiração’. O escritor fica sendo assim uma espécie de agente ou médium, que apenas capta as inspirações sobre eles descidas, manipulando-as no papel graças àquele dom de nascimento que é a sua marca.”
Outros defendem que qualquer um pode escrever bem, desde que treine, reflita e se esforce. Mário de Andrade, por exemplo, era um dos defensores desta idéia. No livro “Cartas a um jovem escritor e suas respostas”, página 25, ele diz: "[...] O prosador lida com a inteligência lógica, está no plano do consciente, das relações de causa e efeito. O seu discurso tem cabeça, tronco e membros, princípio-meio-e-fim, embora pouco importe que muitas vezes o assunto exija que o fim esteja no princípio e o princípio no meio. Não tem disposição? Não se trata de ter disposição: você é um operário como qualquer outro: se trata de ter horas de trabalho. Então, vá escrevendo, vá trabalhando sem disposição mesmo. A coisa principia difícil, você hesita, escreve besteira, não faz mal. De repente você percebe que, correntemente ou penosamente (isto depende da pessoa) você está dizendo coisas acertadas, inventando belezas, forças, etc. Depois, então, no trabalho de polimento, você cortará o que não presta, descobrirá coisas para encher os vazios, etc. etc.[...]”
A palavra dom, traz a idéia de algo divino, com o qual a pessoa supostamente já nasceria e portanto, qualquer dedicação ou esforço maior não faria diferença, pois a pessoa tem ou não tem. Após muitas discussões, achamos interessante em vez de pensar em dom, pensar em potencial. Um potencial que pode sim nascer com a pessoa, mas que pode ser mais ou menos desenvolvido de acordo com diversas questões da vida da pessoa. Já a palavra inspiração, também traz diversas interpretações: desde uma coisa inexplicável, até coisas mais palpáveis, como por exemplo uma boa conversa pode servir de inspiração para a escrita de um texto, ou ler uma poesia, ou assistir um filme, podem servir de inspiração. Em nossa opinião, pensar a inspiração desta segunda maneira faz mais sentido, pois acreditamos que as pessoas são tocadas pelo mundo. Nos tocamos com fatos, falas, filmes, livros, situações vivenciadas... e todas estas coisas podem nos fornecer material para escrever, neste sentido seriam uma fonte de inspiração.
Ainda falando da estratégia x dom e inspiração, percebemos que alguns autores não seguem técnicas específicas e escrevem à medida que sentem vontade ou necessidade, enquanto outros pensam exatamente o que querem causar no leitor e pensam no passo a passo para alcançar seu objetivo. Selecionamos dois autores para exemplificar esta diferença: Clarice Lispector e Edgar Allan Poe. Clarice deu uma única entrevista à TV, que foi em 1977 para a TV Cultura. Quando o entrevistador pergunta: “Se você não pudesse mais escrever, você morreria?, ela responde: “Eu acho que quando eu não escrevo, eu tô morta. [...] é muito duro o período entre um trabalho e outro e ao mesmo tempo é necessário para haver uma espécie de esvaziamento da cabeça para poder nascer alguma outra coisa, se nascer. É tudo tão incerto...”. Então o entrevistador pergunta como ela escreve seus trabalhos e se existe algum horário específico, ao que ela responde: “Em geral é de manhã cedo, né? São as minhas horas preferidas, são as da manhã. Quatro horas e meia, cinco horas eu acordo, fico fumando, tomando café, sozinha. Sem nenhuma interferência... quando eu estou escrevendo alguma coisa, eu anoto a qualquer hora do dia ou da noite. Coisas que me vem... o que se chama inspiração, né? Agora, quando eu tô no ato de concatenar as inspirações, aí eu sou obrigada a trabalhar diariamente.”Clarice diz também que se surpreende quando fica sabendo que seu livro tocou alguém, pois assim não se sente sozinha: “Aí sinto que as pessoas estão na minha”. Ela disse que quando escreveu seu livro “A paixão segundo GH”, um professor de português lhe disse que leu quatro vezes e não sabe do que se trata e, no dia seguinte, uma jovem de 17 anos, universitária, disse que é seu livro de cabeceira. Clarice conclui: “Ou toca ou não toca. Eu suponho que entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato.”.
Edgar Allan Poe faz um contraponto com Clarice em diversos sentidos. Enquanto ela não se preocupava tanto com o leitor, escrevendo apenas por necessidade, como ela mesma dizia, Poe, em seu texto “A filosofia da composição” deixa claro como seu objetivo é tocar o leitor e que isto não tem nada a ver com inspiração: “[...] Meu propósito consiste em demonstrar que nenhum ponto da composição pode ser atribuído à intuição ou à sorte; e que aquela avançou até seu término, passo a passo, com a mesma exatidão e lógica rigorosa de um problema matemático.” Citando Chiarelli (2009): “[...]Ele começou pensando o que queria fazer, onde queria chegar, o que queria causar nos leitores. Então pensou que tipo de texto seria melhor para alcançar esse objetivo, que tipo de sentimento caberia melhor, que tipo de personagens, que frase poderia se repetir... sendo que esta frase teria que ter a sonoridade que ele desejava. Ele pensava nas letras das palavras, que letras juntas alcançariam a sonoridade desejada. E assim, pensando de forma absolutamente milimétrica, seu texto foi aparecendo e todos os objetivos que ele queria foram alcançados.”. Segundo Königsberger (2009): “Quão previsível podem ser os efeitos causados na alma humana. Como nós seres humanos podemos ser calculáveis! Como a matemática é mais humana do que nos faz imaginar nossa escolaridade! Como fiquei encantada com o conhecimento profundo e milimétrico que Poe demonstra tanto sobre a construção de um poema, como também sobre a construção da emoção humana. Joga-nos à nudez crua da emoção tão antes idolatrada e aparentemente espontânea em nós mesmos. Como um cálculo. A matemática vem de nós! Isso não é menos belo e sim mais humano. Nada celestial apenas. E hoje em dia nada me comove mais do que a criação que é do homem e não remetida a algo além de nós, da grandeza do que somos capazes de criar!”.
Dois grandes autores. Dois modos completamente diferentes de encarar a escrita. Podemos dizer o que é mais certo? Ou mais indicado? Mais apropriado? Ou ambos são eficientes para as necessidades e objetivos de cada autor? O método de escrever deve ser singular ou deve haver critérios a se seguir? As perguntas continuam.
quarta-feira, 17 de junho de 2009
terça-feira, 2 de junho de 2009
COMPUTADOR x LIVRO
No seminário que meu grupo apresentou, discutimos a questão do computador poder ou não, substituir os livros. Achei muito importante poder ter lido os textos de Eco e Chartier porque pude ter um panorama sobre como o mundo sempre teve dificuldades em lidar com as mudanças. Foi interessantíssimo saber que quando o suposto inventor da escrita foi apresentá-la ao faraó, este elogiou muito a invenção, mas achou que ela poderia acabar com a memória!! para nós, atualmente essa sensação nem passa pela cabeça, afinal, a escrita acaba auxiliando a memória, já que ela nos ajuda a armazenar muito mais coisas do que armazenaríamos se não pudéssemos escrever! E acredito que esta história dê uma boa base para a discussão sobre o computador versus o livro.
Um outro exemplo muito interessante dado por Eco é quando ele diz que quando Daguerre inventou o que seria o início da fotografia, muitos acharam que a pintura iria acabar, pois naquela época as pinturas eram, muitas delas, retratos. E no entanto, sabemos que a foto não acabou com a pintura! pode ter transformado algumas de suas funções, mas de modo algum acabou com ela.
A partir de tudo isso podemos pensar que ao longo da história sempre achamos que uma inovação mata o que já existe e sabemos que isso não é necessariamente verdade. Eu, pessoalmente, não quero de jeito nenhum que os livros virtuais substituam inteiramente os livros de papel, pois tenho realmente muito apego a livros! Adoro lê-los segurando, adoro ver bibliotecas cheias e acredito que o cpmputador não precisará terminar com eles! assim como o computador não acabou com a tv! E a tv não acabou com o rádio! E o cinema não acabou com o teatro... e o dvd não acabou com o cinema... e por aí vai!!!
Um outro exemplo muito interessante dado por Eco é quando ele diz que quando Daguerre inventou o que seria o início da fotografia, muitos acharam que a pintura iria acabar, pois naquela época as pinturas eram, muitas delas, retratos. E no entanto, sabemos que a foto não acabou com a pintura! pode ter transformado algumas de suas funções, mas de modo algum acabou com ela.
A partir de tudo isso podemos pensar que ao longo da história sempre achamos que uma inovação mata o que já existe e sabemos que isso não é necessariamente verdade. Eu, pessoalmente, não quero de jeito nenhum que os livros virtuais substituam inteiramente os livros de papel, pois tenho realmente muito apego a livros! Adoro lê-los segurando, adoro ver bibliotecas cheias e acredito que o cpmputador não precisará terminar com eles! assim como o computador não acabou com a tv! E a tv não acabou com o rádio! E o cinema não acabou com o teatro... e o dvd não acabou com o cinema... e por aí vai!!!
quarta-feira, 27 de maio de 2009
COMO ESCREVO: Clarice Lispector
Eu li o depoimento de Clarice Lispector no livro "Como escrevo". Sou apaixonada por Clarice há alguns anos! Leio seus textos e me identifico de um jeito que algumas vezes parece que fui eu quem os escreveu. Em seu depoimento ela fala de como a escrita é difícil e prazerosa ao mesmo tempo e de como algumas vezes quando a gente acha que não conseguiu nada, justamente esse "nada" é o tudo! Achei muito interessante, pois é frequente acontecer isso! Pelo menos comigo. Tento, tento, tento e justamente quando quero desistir, vejo que acabei conseguindo algo.
Além do texto, também reassisti a entrevista que Clarice concedeu à tv (a única que deu na vida) e achei que lá ela fala mais sobre o processo de escrita do que em seu depoimento para o livro. Na entrevista ela diz que não gosta de ser considerada escritora, porque ela só escreve quando quer, não tem aquela obrigação de profissão. Ela também diz e mostra o quanto se envolve com suas escritas. Ela diz que quando termina de escrever um livro, morre. Dá para perceber o quanto o processo de escrita é visceral para ela. Ela não fala em inspiração ou dom, mas fala em necessidade de escrever. É diferente de Mario de Andrade, por exemplo, que diz que o escritor é como um operário, que precisa ficar sentado tentando, escrevendo, até sair alguma coisa. Para Clarice não ha obrigação. Há uma necessidade imensa de colocar para fora.
Ela também diz que escreve a partir do que observa e do que vivencia. Na época da entrevista havia cabado de escrever "A hora da estrela" e disse que foi a uma feira no Rio onde havia muitos nordestinos e que sentiu o clima deles e que isso a ajudou a criar o universo da história. Também usou vivências suas e, claro, sua criatividade. Isto fica explícito quando ela conta que foi em uma cartomante que falou coisas maravilhosas para ela e então ela começou a imaginar como seria se sua personagem também fosse a uma cartomante, mas morresse logo em seguida.
Enfim, mesmo dizendo que não se considera uma escritora profissional e que só escreve quando quer, ela acabou falando sobre algumas estratégias de escrita: observação, reflexão sobre a vida, vivências próprias e imaginação.
Só para terminar, gostaria de dizer que achei incrível quando ela diz: "Eu escrevo simples!". Muitas pessoas não entendem Clarice, não conseguem alcançar suas palavras, ou o que está por trás delas, no entanto ela mesma achava que escrevia simples. Neste sentido entendemos porque ela não se considera uma ecsritora profissional, porque realmente não tinha pretenções, como Poe, por exemplo, que sabia exatamente o que queria causar no leitor e construia seu texto milimetricamente para alcançar seu objetivo. Clarice simplesmente escrevia. Se tocava ou não os outros, era sempre uma surpresa para ela. Escrever bastava.
Além do texto, também reassisti a entrevista que Clarice concedeu à tv (a única que deu na vida) e achei que lá ela fala mais sobre o processo de escrita do que em seu depoimento para o livro. Na entrevista ela diz que não gosta de ser considerada escritora, porque ela só escreve quando quer, não tem aquela obrigação de profissão. Ela também diz e mostra o quanto se envolve com suas escritas. Ela diz que quando termina de escrever um livro, morre. Dá para perceber o quanto o processo de escrita é visceral para ela. Ela não fala em inspiração ou dom, mas fala em necessidade de escrever. É diferente de Mario de Andrade, por exemplo, que diz que o escritor é como um operário, que precisa ficar sentado tentando, escrevendo, até sair alguma coisa. Para Clarice não ha obrigação. Há uma necessidade imensa de colocar para fora.
Ela também diz que escreve a partir do que observa e do que vivencia. Na época da entrevista havia cabado de escrever "A hora da estrela" e disse que foi a uma feira no Rio onde havia muitos nordestinos e que sentiu o clima deles e que isso a ajudou a criar o universo da história. Também usou vivências suas e, claro, sua criatividade. Isto fica explícito quando ela conta que foi em uma cartomante que falou coisas maravilhosas para ela e então ela começou a imaginar como seria se sua personagem também fosse a uma cartomante, mas morresse logo em seguida.
Enfim, mesmo dizendo que não se considera uma escritora profissional e que só escreve quando quer, ela acabou falando sobre algumas estratégias de escrita: observação, reflexão sobre a vida, vivências próprias e imaginação.
Só para terminar, gostaria de dizer que achei incrível quando ela diz: "Eu escrevo simples!". Muitas pessoas não entendem Clarice, não conseguem alcançar suas palavras, ou o que está por trás delas, no entanto ela mesma achava que escrevia simples. Neste sentido entendemos porque ela não se considera uma ecsritora profissional, porque realmente não tinha pretenções, como Poe, por exemplo, que sabia exatamente o que queria causar no leitor e construia seu texto milimetricamente para alcançar seu objetivo. Clarice simplesmente escrevia. Se tocava ou não os outros, era sempre uma surpresa para ela. Escrever bastava.
segunda-feira, 18 de maio de 2009
mais MERGULHO NUM LAGO GELADO
O texto de Susan Sontag realmente "deu o que falar" aqui dentro da minha cabeça, ou melhor, "deu o que pensar"!! Tem um trecho que achei muito interessante e gostaria de dividí-lo com todos. Ela está falando sobre o processo de escrita:
"[...] Você tem que se extrair de si mesmo. Quer extrair o livro de sua mente indecisa. Assim como a estátua está inclusa no bloco de mármore, o romance está em sua cabeça. Você tenta libertá-lo.[...]"
Acho lindíssimo quando ela diz que a gente tem que se extrair de nós mesmos! Sinto isso muitas vezes! Como se eu já soubesse o que escrever, o que dizer, como se já estivesse tudo aqui, mas ainda muito misturado comigo mesma e é necessário que eu consiga me extrair de mim! A imagem que ela faz, quando diz que a estátua está inclusa no bloco de mármore me lembrou o potencial das coisas. O mármore tem o potencial de virar uma estátua, mas pode não virar se ninguém for lá fazer com que isso aconteça. Da mesma forma nossas idéias estão dentro de nossas mentes e lá podem continuar se não consgeuirmos nos extrair de nós mesmos. O que, é claro, nem sempre é fácil! Inclusive na maioria das vezes não é. Afinal, escrever não é apenas organizar idéias e pensamentos, é uma forma de expressão! E se expressar acarreta diversas divergências entre o mundo interno e o externo. Às vezes a gente escreve ou fala algo que nem sabia que sabia ou nem sabia que pensava e outras vezes não conseguimos colocar para fora coisas que temos certeza que sabemos ou pensamos. Existe algo nesse caminho entre o dentro e o fora que não é fácil de entender nem de explicar. Nesses momentos, é necessário um mergulho num lago gelado!
"[...] Você tem que se extrair de si mesmo. Quer extrair o livro de sua mente indecisa. Assim como a estátua está inclusa no bloco de mármore, o romance está em sua cabeça. Você tenta libertá-lo.[...]"
Acho lindíssimo quando ela diz que a gente tem que se extrair de nós mesmos! Sinto isso muitas vezes! Como se eu já soubesse o que escrever, o que dizer, como se já estivesse tudo aqui, mas ainda muito misturado comigo mesma e é necessário que eu consiga me extrair de mim! A imagem que ela faz, quando diz que a estátua está inclusa no bloco de mármore me lembrou o potencial das coisas. O mármore tem o potencial de virar uma estátua, mas pode não virar se ninguém for lá fazer com que isso aconteça. Da mesma forma nossas idéias estão dentro de nossas mentes e lá podem continuar se não consgeuirmos nos extrair de nós mesmos. O que, é claro, nem sempre é fácil! Inclusive na maioria das vezes não é. Afinal, escrever não é apenas organizar idéias e pensamentos, é uma forma de expressão! E se expressar acarreta diversas divergências entre o mundo interno e o externo. Às vezes a gente escreve ou fala algo que nem sabia que sabia ou nem sabia que pensava e outras vezes não conseguimos colocar para fora coisas que temos certeza que sabemos ou pensamos. Existe algo nesse caminho entre o dentro e o fora que não é fácil de entender nem de explicar. Nesses momentos, é necessário um mergulho num lago gelado!
MERGULHO NUM LAGO GELADO
A semana passada li o texto "Melgulho num lago gelado" de Susan Sontag durante a aula. Achei interessantíssimo a forma como a autora fala do processo de escrita e leitura e de como as duas, em sua opinião, estão absolutamente interligadas. Para ela, escrever é praticar a leitura, afinal nós somos nossos primeiros leitores, já que o tempo todo relemos o que escrevemos.
Ela acha que reler e reescrever é a parte mais prazerosa porque começar é mais difícil, ela descreve como um mergulho num lago gelado, o que achei uma metáfora maravilhosa! Para mim, começo também é sempre mais difícil, tem mesmo que fechar o olho e pular em algo que ainda está frio, gelado e depois, segundo ela, vem a parte quente, que é o processo de aperfeiçoamento. Acredito que essa metáfora se adeque a diversas outras coisas também, além da escrita. Um atleta por exemplo, quando vai começar um jogo, tem sempre que fazer um aquecimento e mesmo assim, só após um certo tempo de jogo é que ele realmente chega na "parte quente". De início é também um mergulho num lago gelado.
O desconhecido é um pouco assim! Quando já conhecemos algo, podemos nos sentir mais quentinhos e tranquilos. Ao mesmo tempo, o mergulho no lago gelado também é muito bom, é um susto, mas um susto cheio de vida. Quando mergulhamos em água gelada, parece que a vida vai reascendendo cada célula e a gente quase perde o ar! É bom! Tudo que nos desperta é bom! Às vezes é preciso sair um pouco do lugar quentinho e conhecido!
Ela acha que reler e reescrever é a parte mais prazerosa porque começar é mais difícil, ela descreve como um mergulho num lago gelado, o que achei uma metáfora maravilhosa! Para mim, começo também é sempre mais difícil, tem mesmo que fechar o olho e pular em algo que ainda está frio, gelado e depois, segundo ela, vem a parte quente, que é o processo de aperfeiçoamento. Acredito que essa metáfora se adeque a diversas outras coisas também, além da escrita. Um atleta por exemplo, quando vai começar um jogo, tem sempre que fazer um aquecimento e mesmo assim, só após um certo tempo de jogo é que ele realmente chega na "parte quente". De início é também um mergulho num lago gelado.
O desconhecido é um pouco assim! Quando já conhecemos algo, podemos nos sentir mais quentinhos e tranquilos. Ao mesmo tempo, o mergulho no lago gelado também é muito bom, é um susto, mas um susto cheio de vida. Quando mergulhamos em água gelada, parece que a vida vai reascendendo cada célula e a gente quase perde o ar! É bom! Tudo que nos desperta é bom! Às vezes é preciso sair um pouco do lugar quentinho e conhecido!
domingo, 10 de maio de 2009
LEITURA EM VOZ ALTA
Acredito que a leitura em voz alta é uma etapa muito importante no aprendizado da leitura, já que o fato da criança se ouvir enquanto lê, ajuda-a a focar sua atenção, perceber entonações, pontuações e entender melhor o significado do texto. Além disso, a professora e os amigos podem ouvir a leitura e ajudá-la com comentários e correções.
Também acredito que a leitura em voz alta é um recurso de fundamental importância para a vida toda, já que ela permite que COMPARTILHEMOS textos co outras pessoas. Para mim, um momento muito especial da leitura em voz alta é nas rodas de história com as crianças da escola em que trabalho. Todos se concentram no que estou lendo, ficam com os olhos ávidos, pretsam atenção nos detalhes, no desenrolar do enredo, no som e significado das palavras, aumentam seu vocabulário, conhecimento de mundo e ampliam o campo da imaginação e fantasia.
Fico impressionada como o momento da história lhes chama a atenção. Além disso, quando lemos poesias, falamos trava-línguas e brincamos com rimas, só em voz alta todas essas brincadeiras com as palavras, essa exploração sonora e rítmica faz sentido.
Também acredito que a leitura em voz alta é um recurso de fundamental importância para a vida toda, já que ela permite que COMPARTILHEMOS textos co outras pessoas. Para mim, um momento muito especial da leitura em voz alta é nas rodas de história com as crianças da escola em que trabalho. Todos se concentram no que estou lendo, ficam com os olhos ávidos, pretsam atenção nos detalhes, no desenrolar do enredo, no som e significado das palavras, aumentam seu vocabulário, conhecimento de mundo e ampliam o campo da imaginação e fantasia.
Fico impressionada como o momento da história lhes chama a atenção. Além disso, quando lemos poesias, falamos trava-línguas e brincamos com rimas, só em voz alta todas essas brincadeiras com as palavras, essa exploração sonora e rítmica faz sentido.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Edgar Allan poe
O texto de Edgar Allan Poe sobre seu processo de escrita em "O Corvo" me impressionou! Até agora havíamos lido autores que justificavam suas belas escritas dizendo ser ou estar inspirados, mas também já havíamos lido vários que diziam sobre o TRABALHO de escrever, a busca das palavras certas, a insatisfação, sobre como é necessário fazer e refazer e guardar na gaveta para pegar de novo mais tarde... mas nenhum tinha chegado perto do que Poe descreveu. Me veio a sensação primeira de uma escrita totalmente de fora para dentro. Pensando a forma para depois chegar ao conteúdo e para mim, o mais natural seria saber o conteúdo, para só então pensar e lapidar a forma. Achei interessante. Depois fui vendo que não é simplesmente de fora para dentro, é uma construção detalhada, milimétrica e com um objetivo. Ele começou pensando o que queria fazer, onde queria chegar, o que queria causar nos leitores. Então pensou que tipo de texto seria melhor para alcançar esse objetivo, que tipo de sentimento caberia melhor, que tipo de personagens, que frase poderia se repetir... sendo que esta frase teria que ter a sonoridade que ele desejava. Ele pensava nas letras das palavras, que letras juntas alcançariam a sonoridade desejada. E assim, pensando de forma absolutamente milimétrica, seu texto foi aparecendo e todos os objetivos que ele queria foram alcançados. Contionuo achando que é algo absoloutamente impressionante!
Mas também acredito que este seja o estilo dele! Por mais que não exista um dom divino ou algo assim, ainda existem as partiularidades de cada autor e sei que de repente Edgar Allan poe consegue chegar a um resultado tão brilhante quanto outro autor que não siga o mesmo caminho, o que acho ótimo! Afinal, ha vários meios para chegar a resultados brilhantes. de qualquer maneira, é riquíssimo ler sobre seu processo de escrita porque nos abre portas, nos traz novas possibilidades, nos enriquece.
Mas também acredito que este seja o estilo dele! Por mais que não exista um dom divino ou algo assim, ainda existem as partiularidades de cada autor e sei que de repente Edgar Allan poe consegue chegar a um resultado tão brilhante quanto outro autor que não siga o mesmo caminho, o que acho ótimo! Afinal, ha vários meios para chegar a resultados brilhantes. de qualquer maneira, é riquíssimo ler sobre seu processo de escrita porque nos abre portas, nos traz novas possibilidades, nos enriquece.
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Tão complexo esse assunto de como se lê e como se escreve. Tivemos muitas discussões, falamos sobre inspiração, dom, inteligência, aptidão, treino. Idéias e argumentações diversificadas e muitas vezes até apaixonadas apareceram. Tem sido muito interessante ler entrevistas com autores consagrados falando sobre seu processo de escrita. Todos tão peculiares, singulares. Acabo repensando o tempo todo sobre o meu jeito de escrever, sobre as dificuldades e facilidades que aparecem pelo caminho.
Continuo acreditando que, muitas vezes, quando temos um tema, ou um assunto na cabeça, começamos a prestar mais atenção a tudo o que se relaciona com ele e vamos assim, muitas vezes até sem perceber, colhendo materiais para enriquecer nossa imaginação e nosso textos.
Porém outras vezes parece que empaca, que alguma coisa trava e que aquelas palavras não saem de jeito nenhum. Bom saber que mesmo autores importantes também passam por isso! Sentar e ficar tentando, tentando, experimentando, até sair alguma coisa. E depois reler e odiar e jogar fora, riscar tudo, ou simplesmente guardar na gaveta para olhar depois, mais descansada do assunto e da pressão. Aí, assim, depois de um tempo, muitas vezes a gente até que gosta daquilo que escreveu e vê que aqueles pensamentos podem se tornar um texto interessante. No livro "Cartas a um jovem escritor e suas respostas", ha uma carta em que Fernando Sabino diz a Mário de Andrade que deixou um texto na gaveta, chocando. Achei interessante esta idéia, mas acredito que na verdade não era o texto que estava chocando e sim as idéias de Fernando. O texto continuava lá intacto, sua cabeça é que ia mudando, sua vida é que ia correndo e possibilitando as idéias de amadurecerem.
Eu, apesar de amar escrever, tenho tido certa dificuldade e acho que tenho que fazer como Mário aconselhou Sabino: sentar como um operário e tentar, tentar, tentar.
Continuo acreditando que, muitas vezes, quando temos um tema, ou um assunto na cabeça, começamos a prestar mais atenção a tudo o que se relaciona com ele e vamos assim, muitas vezes até sem perceber, colhendo materiais para enriquecer nossa imaginação e nosso textos.
Porém outras vezes parece que empaca, que alguma coisa trava e que aquelas palavras não saem de jeito nenhum. Bom saber que mesmo autores importantes também passam por isso! Sentar e ficar tentando, tentando, experimentando, até sair alguma coisa. E depois reler e odiar e jogar fora, riscar tudo, ou simplesmente guardar na gaveta para olhar depois, mais descansada do assunto e da pressão. Aí, assim, depois de um tempo, muitas vezes a gente até que gosta daquilo que escreveu e vê que aqueles pensamentos podem se tornar um texto interessante. No livro "Cartas a um jovem escritor e suas respostas", ha uma carta em que Fernando Sabino diz a Mário de Andrade que deixou um texto na gaveta, chocando. Achei interessante esta idéia, mas acredito que na verdade não era o texto que estava chocando e sim as idéias de Fernando. O texto continuava lá intacto, sua cabeça é que ia mudando, sua vida é que ia correndo e possibilitando as idéias de amadurecerem.
Eu, apesar de amar escrever, tenho tido certa dificuldade e acho que tenho que fazer como Mário aconselhou Sabino: sentar como um operário e tentar, tentar, tentar.
quarta-feira, 18 de março de 2009
Mário de Andrade
Vou postar mais um trecho de uma carta de Mério de Andrade para Fernando Sabino, onde ele fala novamente sobre o processo de escrita e compara o prosador com o poeta, fazendo distinções entre os processos destes dois tipos de escritor. O trecho é da mesma carta que citei em minha última postagem. É do dia 25/01/1942.
"É certo que o artista não deve ter pressa, é preciso saber esperar. Mas isso do sijeito que se põe escrevendo 'quando sente disposição' é estupidez mas da miúda. Principalmente para o prosador. De fato o poeta so deve criar quando em 'estado de poesia'. Mas isso não é sentir disposição, já é estar fatalizado de uma impulsão interior de que ele não tem a culpa. O prosador não. O prosador lida com a inteligência lógica, está no plano do consciente, das relações de causa e efeito. O seu discurso tem cabeça, tronco e membros, princípio-meio-e-fim, embora pouco importe que muitas vezes o assunto exija que o fim esteja no princípio e o princípio no meio. Não tem disposição? Não se trata de ter disposição: você é um operário como qualquer outro: se trata de ter horas de trabalho. Então, vá escrevendo, vá trabalhando sem disposição mesmo. A coisa principia difícil, você hesita, escreve besteira, não faz mal. De repente você percebe que, correntemente ou penosamente (isto depende da pessoa) você está dizendo coisas acertadas, inventando belezas, forças, etc. Depois, então, notrabalho de polimento, você cortará o que não presta, descobrirá coisas para encher os vazios, etc. etc.
Não há como a fatura de um filme pra exemplificar bem o trabalho de todo e qualquer artista. São cortes e mais cortes, novos close up a fazer, tanto preparo anterior, tanto trabalho posterior, coisa lenta, difícil, penosa."
"É certo que o artista não deve ter pressa, é preciso saber esperar. Mas isso do sijeito que se põe escrevendo 'quando sente disposição' é estupidez mas da miúda. Principalmente para o prosador. De fato o poeta so deve criar quando em 'estado de poesia'. Mas isso não é sentir disposição, já é estar fatalizado de uma impulsão interior de que ele não tem a culpa. O prosador não. O prosador lida com a inteligência lógica, está no plano do consciente, das relações de causa e efeito. O seu discurso tem cabeça, tronco e membros, princípio-meio-e-fim, embora pouco importe que muitas vezes o assunto exija que o fim esteja no princípio e o princípio no meio. Não tem disposição? Não se trata de ter disposição: você é um operário como qualquer outro: se trata de ter horas de trabalho. Então, vá escrevendo, vá trabalhando sem disposição mesmo. A coisa principia difícil, você hesita, escreve besteira, não faz mal. De repente você percebe que, correntemente ou penosamente (isto depende da pessoa) você está dizendo coisas acertadas, inventando belezas, forças, etc. Depois, então, notrabalho de polimento, você cortará o que não presta, descobrirá coisas para encher os vazios, etc. etc.
Não há como a fatura de um filme pra exemplificar bem o trabalho de todo e qualquer artista. São cortes e mais cortes, novos close up a fazer, tanto preparo anterior, tanto trabalho posterior, coisa lenta, difícil, penosa."
terça-feira, 17 de março de 2009
Estou lendo o livro "Cartas a um jovem escritor e suas respostas". São as cartas de Fernando Sabino para Mário de Andrade e suas respostas. Ao longo de alguns anos de correspondência, eles dialogam sobre inúmeros assunto, mas o processo de escrita é um dos focos principais e separei algumas passagens interessantes que podem enriquecer bastante nossa discussão sobre o que leva um autor a escrever, se existe inspiração, se o autor só escreve quando sente vontade... enfim, em uma carta de Mário para Sabino, escrita no dia 25/01/42, ele diz algo muito interessante:
"O simples fato do artista estar sinceramente entregue ao pensamento do seu assunto, a tomar notas de frases, de traços psicológicos, de formas, de idéias o vai predispondo psicologicamente para o ato da criação. E esta chega mesmo." (p. 25)
Eu acho fundamental essa fala de Mário, pois concordo que quando estamos em preocesso de criação (seja de um texto ou de uma cena, por exemplo), quanto mais nos "banharmos" em referências, procurando assuntos que tenham a ver, fazendo relações, buscando imagens, conversando com pessoas, mais estaremos, de alguma forma, preparando terreno para o ato da criação. Concordo com a Márcia quando ela diz que ele não vem do além. Mas acredito que quando trabalhamos para isso, como diz Mário, acabamos tendo inshigts, ou seja, em algum momento, essas informações e sensações e pensamentos e imagens que recolhemos, se juntam, fazem algum sentido e conseguimos por em palavras ou em movimento, enfim, criamos!
"O simples fato do artista estar sinceramente entregue ao pensamento do seu assunto, a tomar notas de frases, de traços psicológicos, de formas, de idéias o vai predispondo psicologicamente para o ato da criação. E esta chega mesmo." (p. 25)
Eu acho fundamental essa fala de Mário, pois concordo que quando estamos em preocesso de criação (seja de um texto ou de uma cena, por exemplo), quanto mais nos "banharmos" em referências, procurando assuntos que tenham a ver, fazendo relações, buscando imagens, conversando com pessoas, mais estaremos, de alguma forma, preparando terreno para o ato da criação. Concordo com a Márcia quando ela diz que ele não vem do além. Mas acredito que quando trabalhamos para isso, como diz Mário, acabamos tendo inshigts, ou seja, em algum momento, essas informações e sensações e pensamentos e imagens que recolhemos, se juntam, fazem algum sentido e conseguimos por em palavras ou em movimento, enfim, criamos!
CATAR FEIJÃO João cabral de Melo Neto
Em nossa última aula, Márcia contou sobre uma pesquisa que investiga como as pessoas escrevem. Para a pesquisa, as pessoas gravam todas as coisas que vem à cabeça enquanto estão escrevendo o texto para que depois se possa refletir que escolhas a pessoa fez, se ela pensou nessa escolha, que dúvidas teve e tudo o mais. Então Márcia nos deu o texto "Catar feijão" e propôs que lêssemos, observássemos o que passa pela nossa cabeça durante a leitura e, ao final, registrássemos. Aí vai:
"Comecei a ler um pouco dispera e tive que reler o início, mas me interessei bastante. Depois comecei a me confundir um pouco com a pontuação e uma ou outra palavra, mas tentei ler primeiro até o fim para ver se entendia pelo contexto ou se "pegava o jeito" do autor. Precisei reler mais duas vezes e acho que entendi um pouco do que ele fala, mas ainda ficquei confusa.
Depois que escrevi esta reflexão e reli novamente o texto, parece que compreendi muito melhor o que o autor quis dizer. O que me leva a pensar que, algumas vezes, dar um tempo e voltar ao texto (tanto quando se lê, quanto quando se escreve), pode ajudar muito a clarear o que ainda estava difícil e fazer fluir o que estava truncado."
"Comecei a ler um pouco dispera e tive que reler o início, mas me interessei bastante. Depois comecei a me confundir um pouco com a pontuação e uma ou outra palavra, mas tentei ler primeiro até o fim para ver se entendia pelo contexto ou se "pegava o jeito" do autor. Precisei reler mais duas vezes e acho que entendi um pouco do que ele fala, mas ainda ficquei confusa.
Depois que escrevi esta reflexão e reli novamente o texto, parece que compreendi muito melhor o que o autor quis dizer. O que me leva a pensar que, algumas vezes, dar um tempo e voltar ao texto (tanto quando se lê, quanto quando se escreve), pode ajudar muito a clarear o que ainda estava difícil e fazer fluir o que estava truncado."
terça-feira, 10 de março de 2009
A minha história de leitura e escrita
Desde pequena ouvia muitas histórias, tanto com livros, quanto inventadas, carinhosamente, por meus pais. Além disso, na escola em que estudei (e na qual hoje trabalho), sempre tivemos a chamada "roda de histórias", onde sentávamos todos juntos para ouvir a professora contar, era uma espécie de ritual, muito gostoso.
l Meu pai e minha mãe sempre trabalharam e estudaram muito. Eu os via em meio a jornais, livros, relatórios e muitos papéis com anotações. Também tenho a imagem dos dois deitados na cama, antes de dormir, cada um lendo um livro, então eu pegava um para mim também! Alías, trago até hoje este hábito de ler antes de dormir.
Acredito que com tantas influências e uma pré disposição minha também, a leitura e a escrita passaram a fazer parte da minha vida de maneira bastante intensa. Fui crescendo e continuei em escolas que estimulavam estes dois hábitos e fui passando a me apaixonar por diversas histórias e autores. De "Lúcia já vou indo", para as aventuras de Emília no "Sítio do Pica pau amarelo", passando por contos de fadas diversos, indo parar em Anne Frank, depois Fernando pessoa, Vinícios de Moraes, Clarice Lispector...
A escrita também faz parte de mim e não passo um dia sem escrever! Tenho cadernos e mais cadernos nos quais registro meus sentimentos, sensações, pensamentos, dúvidas, angústias, medos, trsitezas, alegrias... não consigo me imaginar sem escrever. É quase uma dependência a minha. Tive uma longa fase da vida em que escrevia cartas e mais cartas para minhas amigas, num desabafo e troca de confidências sem fim. Eram cartas grandes, com uma dramaticidade típica da adolescência. Hoje, devo confessar que continuo dramática, apesar de não mais adolescente... mas a frequência das cartas acabou diminuindo, diminuindo...
Depois que virei adulta o tempo encocolheu. Parece que corro atrás do tempo o tempo todo, sempre sem tempo para fazer o que quero e preciso!!
Quando soube do blog achei a idéia fantástica porque pensei que eu teria que me obrigar a escrever as minhas reflexões e que isso seria um ótimo exercício, pois, apesar de escrever bastante sobre meus sentimentos e angústias em meus cadernos, percebi que pouco escrevo sobre outras reflexões minhas. Mas olha só: hoje é véspera da aula e eu quase tinha me esquecido de escrever aqui. Fui novamente engolida pelo tempo! Ou pela falta dele. Mas agora que escrevi meu primeiro texto no blog, sei que conseguirei manter este hábito!
l Meu pai e minha mãe sempre trabalharam e estudaram muito. Eu os via em meio a jornais, livros, relatórios e muitos papéis com anotações. Também tenho a imagem dos dois deitados na cama, antes de dormir, cada um lendo um livro, então eu pegava um para mim também! Alías, trago até hoje este hábito de ler antes de dormir.
Acredito que com tantas influências e uma pré disposição minha também, a leitura e a escrita passaram a fazer parte da minha vida de maneira bastante intensa. Fui crescendo e continuei em escolas que estimulavam estes dois hábitos e fui passando a me apaixonar por diversas histórias e autores. De "Lúcia já vou indo", para as aventuras de Emília no "Sítio do Pica pau amarelo", passando por contos de fadas diversos, indo parar em Anne Frank, depois Fernando pessoa, Vinícios de Moraes, Clarice Lispector...
A escrita também faz parte de mim e não passo um dia sem escrever! Tenho cadernos e mais cadernos nos quais registro meus sentimentos, sensações, pensamentos, dúvidas, angústias, medos, trsitezas, alegrias... não consigo me imaginar sem escrever. É quase uma dependência a minha. Tive uma longa fase da vida em que escrevia cartas e mais cartas para minhas amigas, num desabafo e troca de confidências sem fim. Eram cartas grandes, com uma dramaticidade típica da adolescência. Hoje, devo confessar que continuo dramática, apesar de não mais adolescente... mas a frequência das cartas acabou diminuindo, diminuindo...
Depois que virei adulta o tempo encocolheu. Parece que corro atrás do tempo o tempo todo, sempre sem tempo para fazer o que quero e preciso!!
Quando soube do blog achei a idéia fantástica porque pensei que eu teria que me obrigar a escrever as minhas reflexões e que isso seria um ótimo exercício, pois, apesar de escrever bastante sobre meus sentimentos e angústias em meus cadernos, percebi que pouco escrevo sobre outras reflexões minhas. Mas olha só: hoje é véspera da aula e eu quase tinha me esquecido de escrever aqui. Fui novamente engolida pelo tempo! Ou pela falta dele. Mas agora que escrevi meu primeiro texto no blog, sei que conseguirei manter este hábito!